domingo, 20 de novembro de 2011

Medo Líquido

      Com as luzes apagadas era difícil de acreditar que se estava no mesmo quarto. Mamãe resolveu mudar um pouco de estratégia por causa de algum livro ou programa de tevê sobre educação infantil que diz que 'as crianças tem de aprender desde cedo a enfrentar os seus medos'. Foram exatamente essas as palavras dela e ele sabia que sua falta de criatividade trouxe essa frase inteira e prontamente do livro-ou-programa. Ele a amava, mas sabia que não tinha tanta habilidade para educar uma criança. Não importava, as luzes não precisavam estar apagadas para que ele desconfiasse o que tinha ali. Já tinha visto o bastante em seus 7 anos de vida.
      Mamãe conversou com ele no último minuto antes de dar o beijo de boa noite.
      - Daniel, hoje a mamãe vai fazer as coisas um pouco diferentes. Mas é para o seu bem, não se preocupe. - disse ela. E chamar pelo nome original alertava algum tipo de conversa séria ou sermão. Na ocasião, era uma conversa séria. E estúpida.
     'Okay mamãe, acho que posso tentar enfrentar alguns medos hoje, se você diz que fará bem para mim. Mas não quero nem a luz de cabeceira ligada. Se é assim, não quero ver nada de verdade.' Foi a resposta que Danny deu e não achou muita graça no risinho que recebeu em troca. Era algo como 'seu bobinho, quanta imaginação'. Não mamãe, você está enganada. Nessa ocasião, você está muito enganada.
      Enfim ela se foi com um 'boa noite querido, seja corajoso pela mamãe' e deixou o trum da porta. Aquilo ecoou durante um certo tempo na cabeça de Danny. Mais tempo do que devia. Sua última visão nítida foi o semblante de mamãe cada vez menor e aquela luz branca e fraca da lua iluminando a sua volta. Era como se quisesse zombar de sua cara. A lua não costumava aparecer muito na sua janela. Danny gostava dela, mas não teria tanta certeza se continuaria depois dessa noite. Não, definitivamente não era mais o seu quarto. Poderia ainda ser um quarto, mas não seu.
      Resolveu tentar fechar os olhos. As coisas começaram a ir bem. Já estava começando a entrar no primeiro estado do sono, onde seu corpo relaxa e sua mente começa a trabalhar mais lentamente do que o normal. Já se via feliz e orgulhoso de si mesmo acordando na manhã seguinte, e mamãe ia elog...
        'Que barulho foi esse?' Danny pensou, e foi o suficiente para despertá-lo novamente. Um riso talvez ou algum pássaro perto da janela entreaberta. Não, era um riso. Um riso fino e debochado, curto e claro. E com ele veio o primeiro sinal de medo. O coração que antes estava ficando cada vez mais lento, diminuindo gradativamente o metabolismo do corpo, então se acelerava com os pensamentos. Danny estava sim com medo, não muito mas estava. Era o que ele chamava de medinho bobo.
     A coragem para analisar o quarto com os olhos veio não se sabe de onde, foi como um instinto do cérebro. Seus olhos estavam mais acostumados com a luz fraca naquele momento e ele viu tudo mais claramente. Se não soubesse antes, aquele seria o momento para concluir que não era mais o seu quarto. Aquele que brincava durante toda a tarde depois da aula até o início da noite, onde as coisas começavam a ficar um pouco menos infantis conforme o sol ia se pondo. Era o momento de ir para a sala e ver de uma forma não tão espontânea os noticiários do papai. Eles não entendiam muito bem, mas não tinha o porque de condená-lo por isso. Na verdade agora, se pensasse melhor, perceberia que não era mais um quarto. Pelo menos não para dormir ou brincar.
      Sua escrivaninha parecia uma mesa com correntes, a cadeira tinha argolas grossas onde ficariam os pulsos e os tornozelos e era de um ferro que nunca tinha visto, o guarda roupa tinha portas de madeira velha e grossa, como portas de uma igreja antiga. Tinha várias trancas do lado de fora, de cima a baixo, todas livres. Sabia que a porta era grossa porque estava entreaberta agora e sabia que tinham olhos o observando dali. Olhos vermelhos cor de sangue. Olhos que brilharam mais ainda quando sabiam que ele estava olhando. Quase podia sentir o sorriso do que quer que fosse aquilo. Ah sim, ele SABIA que aquilo estava sorrindo. Assim como sabia que não ia ficar só observando.
      Fechou os olhos de novo, com toda a força que pode. Não ia aguentar muito tempo, já sentia as lágrimas vindo. Mas ele não iria chorar. Eram lágrimas de medo. Mas não o medinho bobo, muito mais que isso. Gostaria de poder pegar as cobertas em cima da sua barriga, mas estava assustado demais para conseguir se mexer. Assustado demais de não achar as cobertas, de encostar em alguma mão desprovida de pele e carne, de abrir os olhos e ver um rosto feio e assustador a menos de cinco centímetros do seu. E o pior de tudo, com aquele olhar perverso e debochado. Talvez pronto para machucá-lo ou só apenas vê-lo gritar como uma menininha. 'Eu não sou uma menininha!'
      E abriu os olhos.
      E não gostou do que viu.
     A porta do "guarda-roupa" estava escancarada, e a peça tinha dobrado de tamanho. Não mais existia porta - talvez para entrar, não para sair dali - e a janela era apenas um quadrado numa altura que nem mesmo ele de pé em cima de um banquinho alcançaria. E a janela tinha grades em vez de vidro.
     Os possíveis cantos escuros espalhados pelo quarto haviam triplicado e com isso, as chances daquilo estar onde bem entendesse. Talvez mesmo embaixo da sua cama ou... Espere um pouco! A sua cama também não era mais a mesma e... Oh, nunca tinha sentido uma dor tão forte nas costas! Quase gritou, na verdade sentiu uma vontade imensa de gritar mas pensou que poderia acordar ou enfurecer aquilo onde quer que ele estivesse.
      De repende se viu saltando da cama, que antes era um colchão macio com seu lençol do pernalonga tinha, sim era isso. Pregos! Centenas de pregos em fileiras e ele já tinha visto isso em algum lugar porque mamãe lhe contou uma história antiga sobre a casa e... 'Mamãe, sim! Ela pode me ajudar!'
      - Mamãe! MAMÃEEEEE!!! - gritou com tudo que tinha e não estava mais se importando se 'aquilo' ia ficar bravo ou atacar, sabia que mamãe viria e torcia para que chegasse em tempo.
      Ouviu os passos rápidos dela indo abrir a porta do quarto que ficava dobrando o corredor, mais ou menos uns quinze passos dali. Dois minutos no máximo, talvez um e meio agora.
      E ele viu, oh ele viu! 'Aquilo' estava saindo de trás da mesa com as correntes e ele pode sentir a raiva, a fúria por ter gritado. Tinha os olhos mais vermelhos cor de sangue do que nunca, o nariz era torto para o lado direito e não tinha a bochecha esquerda. Sua boca, meu Deus, sua boca era enorme. Desproporcinal ao tamanho do rosto, como se tivessem esticado ela ao máximo que podia e esquecido de colocar no lugar de novo. A pele era cinza com várias manchas pretas, onde algumas das manchas maiores não tinham carne no centro, mostrando o branco dos ossos. Os cabelos negros e compridos estavam tão arrepiados que poderia jurar que era por causa de um choque tremendamente forte. Os olhos - com um deles quase saindo da órbita - estavam arregalados e o consumiam com um ódio puro. 'Aquilo' corria na sua direção com uma andar desengonçado, como se já não dominasse totalmente os músculos das pernas e braços. E Danny não aguentou. Sentiu uma vontade imensa de gritar de novo, o mais alto que podia. E o fez.
      Foi o pior erro. Não era para isso ter acontecido, ele sabia. 'Aquilo' acabou vindo mais rápido, não tinha como fugir. Tinha que esperar mamãe chegar e arranjar algum jeito de ganhar tempo. Escutou e sentiu. Sim, naquela altura ele tinha dobrado todos os sentidos. À sua esquerda tinha a cama e não poderia pular em cima dela, a não ser que quisesse inutilizar algumas partes do seu corpo. Na direita, a uns três ou quatro passos o "guarda-roupa". E ele não se arriscaria a entrar, talvez nunca mais voltasse ou ficasse trancado e talvez tivesse mais alguma daquelas coisas ali dentro o esperando.
     'Ah mamãe, chegue de uma vez!' pensou Danny. 'Aquilo' estava a menos de um metro dele e praticamente, não sabe se ouviu de verdade, os pensamentos da coisa.
       'OH SIM, DANNY! EU VOU TE PEGAR, DEPOIS PEGAR SUA QUERIDA MAMÃE E TE FAZER ASSISTIR ELA PERDER UM BRAÇO E UM FÍGADO DE UMA VEZ SÓ, E VOU PEGAR SEU LUGAR E FAZER ELA ACREDITAR QUE TUDO FOI UM PESADELO E QUE VOCÊ SOU EU E VOU FAZER O MESMO COM ELA AMANHÃ, VOU VER O SANGUE SAIR JORRAR E ESCORRER, VOU BEBER UM POUCO PARA SENTIR O PRAZER E OLHAR SEUS OLHOS ESBUGALHADOS DE MEDO E ME ALIMENTAR DELE TAMBÉM E TALVEZ QUANDO EU ENJOAR VOU COMER A CARNE CRUA E LAMBER OS OSSOS!'
      'Não, isso não podia estar acontecendo. É um pesadelo, TEM QUE SER!'. Danny viu mais claramente quando 'aquilo' passou por um foco de luz. Os dentes que restavam eram extremamente compridos e desparelhos. Uns para frente, outros para trás sem padrão. Sua língua trazia a podridão de tudo o que existe de mais perverso no mundo. E eram duas, não! era uma cortada no meio, mas até o final. Escorria um líquido espesso da sua boca, mas não era apenas saliva. Era outra coisa, mas ainda não sabia o quê.
       'Aquilo' chegou perto, bem perto agora e o agarrou pelo pescoço. Não tinha mais tempo de fugir. Sentia os dedos daquilo e percebeu as unhas afiadas penetrando a sua pele. O sangue começando a escorrer pelo peito e aquela sensação de algo quente e dor, muita dor. A língua, ou melhor, as línguas se arrastavam sobre seu rosto para todos os lados. Estava se alimentando do medo e do horror que tinha provocado. E agora sabia o que era aquela "saliva", e custou alguns segundos para perceber. Não era algo que existia nesse mundo, mas se existisse assim seria. Com um cheiro horrível e ocasionalmente viciante.
        Medo líquido.
      A expressão daquilo era de prazer, mas mesmo assim mantinha os olhos bem abertos olhando de um lado para outro. Estava em transe. O sangue corria cada vez mais e mamãe não vinha. Ela não vinha!
      'Oh mamãe, onde você está agora?' E de repente ouviu, quase como resposta.
    A porta se abriu lentamente e mamãe entrou. A luz penetrando na peça, ofendendo e afastando a escuridão.
      - Oh meu Deus, Danny! O que diabos está FAZENDO?!
     Danny lambia seu próprio rosto. Suas unhas trabalhosamente afiadas dentro de seu próprio pescoço, o sangue cobrindo toda a parte frontal de seu pijama. Os olhos arregalados, mais do que já estavam olhavam ela na porta e mantinham uma expressão mista de prazer, ódio e susto.
     Danny a viu se aproximando rápido e não entendeu porque mamãe não enxergava 'aquilo'. Ele estava na sua frente agora, assustado com aquela situação. Iria conversar bastante com mamãe e papai e tentar convencê-los da verdade, por mais difícil que fosse e...
      'O que está acontecendo aqui afinal?!' Danny pensou.
     Ela não veio em sua direção. Simplesmente parecia que não o tinha visto ali a meio metro de distância. Segurava 'aquilo' pelos ombros e sacudia. Gritava algo, mas não dava pra entender direito. Ela chorava ao mesmo tempo, na verdade estava ajoelhada em prantos. Olhava-o como se... 'Não! Isso não pode ser verdade.'
      'Aquilo' era ele agora! Com o pijama cheio de sangue no peito e o pescoço furado em cinco lugares, de onde o sangue saía. Suas unhas afiadas e compridas pingavam o líquido espesso e por um momento ele viu. Os olhos estavam vermelhos. Vermelhos cor de sangue.




                                                                                           Charles Correa






Conto dedicado ao amor da minha vida que me traz toda a inspiração e vontade com um simples sorriso,
Júlia Núñez.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Momento

Me sinto de uma forma alegre
Como se nada pudesse me abalar
Enquanto estou perto de ti

E é a primeira vez que posso dizer
Que estou conquistando alguém
De livre e espontânea vontade
Sem qualquer tipo de pressão

E quem pode achar isso ruim?
Saber que se é digno disso
De trazer as pessoas pra perto
Sem fazer nenhum esforço
Sendo você mesmo

Agora não importa mais
Se quero ficar sozinho ou não
Já perdi o controle dessa opção

E de novo
A gente se encontra na mesma situação
E de novo
Eu vou deixar tudo acontecer

Porque não importa mais
Eu só quero te ter por perto
É a única coisa que quero
E é a única coisa que penso

E só assim vou me sentir bem
Sem nenhum vazio por dentro
Porque eu posso te fazer feliz
Nem que seja por mais um momento

Charles Correa
23/03/2011 - 21:15h

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vislumbre

Eu que achava que a mente
Era que detinha o controle
Mesmo que não absoluto
Me tranqüilizava pensar assim

Entretanto vejo que me engano
O coração é quem dita as regras
E tenho cada vez mais certeza disso
Quando percebo o quanto me sinto livre
Sem estar em uma espontânea realidade

E só me causa confusão
Pensar que posso perder muito
Ou ganhar em excesso
Como numa aposta fútil

É a minha vida que está em jogo
Ou parte da essência dela
Que antes se esvaía pra longe
E hoje me sufoca em sua abundância

E ao contrário do comum
Isso me preocupa seriamente
Ter que encarar o fato
De perder uma jóia
Pra poder ter o simples vislumbre de outra

Esse novo tesouro é como uma chave
Por mais igual a fechadura
Nunca terá certeza que vai abrir
Se ainda não testou sua eficiência

E fico eu nesse dilema
De escolher entre o certo e o talvez
Entre a dor e o prazer
O remorso e a aposta

O meu mundo assim se abala
Como se eu estivesse de pé
Em um chão de vidro prester a quebrar
E lá em baixo um mar

Se é de rosas ou espinhos
Ainda é um mistério
Se vou ter coragem para descobrir
Não depende só de mim

Charles Correa
17/03 - 02:10am

Mais Uma Vez

Depois de tanto tempo
Aqui estou, sem muitas novidades
E o que me resta são as saudades
Representadas por esse silêncio

Eu que achava que estava vacinado
Que tinha perdido completamente a esperança
Por mais que olhasse para qualquer lado
Não enxergava nenhum sinal de mudança

Eu que não queria mais me comprometer
Agora só penso em um modo de te dizer
Que eu sei que te amo e pra sempre vou te amar
E de jeito nenhum vou de novo me enclausurar
Fugindo da realidade ou tentando esquecer

Porque você significa muito pra mim agora
E o meu problema é você ter que ir embora
Me deixar sozinho nesse purgatório
Tornando o meu coração um simples acessório

E se um dia eu puder te ter ... mais uma vez
Entre os meus braços e carinhos ... mais uma vez
Vou te provar que o amor existe e em ti está
E o pedaço que faltava dele sou eu
E esse pedaço agora finalmente é todo teu

Novamente um completo submisso
A esse amor e irresistível feitiço
Novamente essa prova está satisfeita
Que você pra mim é e sempre foi a mais perfeita

Charles Correa

Dia Melancólico

Chove lá fora agora
É so mais um dia melancólico
Como qualquer outro

Não me importo mais com o que pensam
Sozinho ou acompanhado
O que eu quero é da minha conta

Eu tenho medo de me perder de novo
De cair na mesma armadilha que eu mesmo crio
Mas agora nada importa mais

Vou me deixar levar pelos sentimentos
Sair dessa redoma contra sofrimentos
Arriscar a minha pele um pouco
Sem pensar no que pode ou não acontecer

Não é assim que se aprende?
Pois bem

Vou ficar um pouco mais perto de mim
Tentar me conhecer melhor
Cada vez mais

E talvez depois disso possa descansar
Minha mente e meu coração
De uma forma tranqüila e natural
Sem medos ou remorsos

Tendo uma história emocionante
Em vez de um conto pra dormir

Charles Correa

Rock

Porque eu curto rock?
É simples
Porque eu tenho personalidade
Busco coisas que não vejo no dia-a-dia
Procuro ser diferente e me destacar
Tenho meus princípios e sei segui-los

É o que me faz assim
Que me faz ser eu mesmo
E ao mesmo tempo muito diferente
O cara que não é igual a todo mundo
E está no meio de uma massa revolucionária

Onde não é só musica
É uma doutrina
Um estilo de vida
Uma maneira de pensar
Um jeito de se vestir
É a sua alma

Rock me traz sensações exclusivas
Numa mesma música uma imensidão de pensamentos
Onde algumas trazem lembranças
Outras me fazem pensar no futuro
Mas todas elas, sem exceção

Me trazem o que eu preciso
O que eu quero sentir e além
Auto-conhecimento e bem estar
Harmonia consigo mesmo

E como isso é possível?
Não é coisa do demônio
Nem mesmo luzes angelicais
São sensações humanas
Que se propagam e se fazem acontecer

E você só vai entender isso
Quando uma simples música tocar o seu coração
Ir no fundo da sua alma
E te fazer arrepiar, chorar, rir
Vibrar, pular, arrepiar de novo
Sentir raiva, ódio, medo, frenético e se sentir vivo

Você vai se ver cheio de amigos
Pessoas que gostam de você pelo que é
Porque sabem que não é só mais um
Que te consideram e te admiram

Se você tem personalidade
Não vai gostar de uma música
Que toque seus sentimentos superficiais e momentâneos
Que te faça sentir vulgar ou fale diretamente sempre do mesmo assunto
Não importa quantas vezes você passe de faixa

Nem tudo são só amores perdidos
E nem todas as mulheres do mundo
Desistiram da sua moral para criar moda
E ser uma bela imagem de mais um momento

Ou homens que se fazem um
Como uma sala de espelhos
Com toda imagem não importando o lado que olhe
Vai sempre ver o mesmo animal adestrado

E quando você souber escutar sua voz interior
Vai saber que ela pede liberdade
Pra poder ser livre realmente
E sair da onda da maioria

Liberdade de dançar do jeito que você quiser
Sem regras ou passos certos
Com quem você gosta sem precisar impor nada
Sem lavagem mental periódica

E quando isso acontecer
E vai saber que as pessoas tem direito de escolha
E tem direito de conhecimento
Pra depois poder decidir o melhor

Porque ninguém tem a mesma alma
E o mundo precisa de pessoas diferentes
Que andem para o lado oposto com convicção
E que te façam pensar no que você escolhe como certo

E o rock me diz
O que eu sempre quis escutar
Que a vida é feita de sentimentos
E pra cada sentimento uma estilo

Não um estilo onde eu só me encontre quando estou feliz
Ou quando quero apenas dançar
Quando quero só escutar a música
Bloqueando a sua essência

E quando você chegar nesse momento
Quando resolver analisar o que escuta
Vai se perder na ilusão
De encontrar alguma essência

Vai saber que não é o seu lugar
Que você é mais que isso
Que merece muito mais que esse vazio
E esse além existe

Um além que você nunca prestou atenção
Ou como de costume julgou pela capa
O que não é de total conhecimento
E já é excluído dos seus momentos instantâneos

E você vai se sentir além
Além de tudo que já tinha conhecido
Que ja tinha sentido
E vai saber finalmente

Que a vida nao é feita só de momentos
E isso vai quebrar os seus conceitos
As suas regras e seu cotidiano
Vai tirar a sua máscara de momento

E um novo eu vai surgir
Um eu que você mesmo desconhecia
Mas é o que você construiu além dos momentos
Onde você estava criando escolhas

E essas escolhas um dia se ergueram
E foram mais fortes que esses simples momentos
E te levaram aos teus sonhos
Ou ao teu inferno pessoal


E isso é muito bom
Bom demais saber quem você é de verdade
Saber o que te incomoda
E te faz realmente feliz

Porque a vida não é feita só de momentos
E me desculpe se quebrei as suas regras impostas
Porque diferente de você
Eu sou eterno e vivo a minha eternidade
Estou em constante conhecimento

Mais o passo mais importante
O passo do Reconhecimento
De se olhar no espelho
Mas dessa vez enxergando além

Isso te faz importante
É isso que te deixa mais completo
Que te faz Único
Alguém que não é igual a todo mundo

Charles Correa
11/12/2010 03:05am

Feliz Agonia

Essa agonia que me consome
Que me deixa tao anormal
Isso me move pra um lado
Um lado sombrio e sem medos

De certa forma, isso se torna perfeito
Num momento em que procuro desafios
Pra derrotar os defeitos que me atrasam
De ser feliz ao teu lado

O que eu mais queria agora
Era ter um simples momento com voce
Pra te deixar ciente o que penso
E te apresentar a verdadeira felicidade

Sou o cara que vai te olhar nos olhos
Bem antes de ser consumido por sua beleza
Sou o cara que sempre te viu nos sonhos
Bem antes de ser consumido por sua beleza

E agora voce apareceu
E isso me deixa tao anormal
Isso me move pra perto de voce
Cada vez mais perto do seu futuro

O que voce sempre quis
O que eu sempre sonhei
O mundo nunca vai estar infeliz
Enquanto existir voce e eu

E agora que eu percebi
O que meu instinto sempre soube
Desde o primeiro contato visual
O meu dominio ja é seu

E essa agonia me consome
E me deixa tao anormal
Nao poder te ver desperta em mim
Um lado sombrio e sem medos

Entao prepare-se pra conhecer
O que sempre busquei
E eu serei teu sonho
Assim como voce é o meu

Porque eu sou o cara que te olha nos olhos
E que sente o teu perfume
E isso me deixa dominado
Desprovido de reaçao

E eu vejo seus olhos agora
E eu sinto seu perfume nesse momento
Se o mundo nao fosse tao infeliz
Isso nao precisava ser apenas um pensamento

Charles Correa