quinta-feira, 17 de março de 2011

Vislumbre

Eu que achava que a mente
Era que detinha o controle
Mesmo que não absoluto
Me tranqüilizava pensar assim

Entretanto vejo que me engano
O coração é quem dita as regras
E tenho cada vez mais certeza disso
Quando percebo o quanto me sinto livre
Sem estar em uma espontânea realidade

E só me causa confusão
Pensar que posso perder muito
Ou ganhar em excesso
Como numa aposta fútil

É a minha vida que está em jogo
Ou parte da essência dela
Que antes se esvaía pra longe
E hoje me sufoca em sua abundância

E ao contrário do comum
Isso me preocupa seriamente
Ter que encarar o fato
De perder uma jóia
Pra poder ter o simples vislumbre de outra

Esse novo tesouro é como uma chave
Por mais igual a fechadura
Nunca terá certeza que vai abrir
Se ainda não testou sua eficiência

E fico eu nesse dilema
De escolher entre o certo e o talvez
Entre a dor e o prazer
O remorso e a aposta

O meu mundo assim se abala
Como se eu estivesse de pé
Em um chão de vidro prester a quebrar
E lá em baixo um mar

Se é de rosas ou espinhos
Ainda é um mistério
Se vou ter coragem para descobrir
Não depende só de mim

Charles Correa
17/03 - 02:10am

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